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sexta-feira, 31 de julho de 2015

#plussize: Gorda e Saudável.


No começo dessa semana quando vi um post no site da Ju Romano (<3) sobre o projeto fotográfico da fotógrafa Mariana Godoy pensei "caraca que post maravilhoso de se ler/ver". Além de as fotos serem lindas, o fato de um ensaio sensual com mulheres gordas me traz diversas sensações.
A primeira é de felicidade ao ver que alguém conseguiu fazer com que essas mulheres aceitassem fazer fotos lindas e poderosas - falo isso porque esses dias olhando minhas fotos de referências e inspiração no weheartit pensei como é difícil achar fotos legais de meninas gordas, principalmente de referências de moda. Não sei se isso se dá pelo fato de o "padrão estético ideal" ser muito mais vendável, ou se é porque elas ainda não se sentem seguras pra expor seu corpo/estilo nas fotografias.
A segunda é de reconhecer meu corpo naquelas fotografias. Já falei aqui no blog que sou gorda sim e que também tenho meus problemas pra aceitar o meu corpo como é mas já deixei a muito tempo de me esconder, afinal, me esconder não me torna mais magra, nem mais aceita e muito mas muito menos mais feliz.

Alguns dias depois vi que o Catraca Livre publicou uma matéria sobre o projeto, depois o G1 e por ai foi. Fiquei mega feliz de ver os veículos de mídia mostrando que existem sim corpos reais e gente se dedicando a mostrar beleza além do padrão. Tava mega feliz, até ler os comentários nas publicações.
Em uma das fotos do projeto, uma modelo tem escrito no corpo a frase "gorda e saudável" e foi ai que a galera preconceituosa com a cabecinha fechada se pegou pra comentar coisas escrotas e sem cabimento. Os argumentos eram de que pessoas gordas não podem ser saudáveis, que ser gordo já é doença, que estão tentando forçar a aceitação de um corpo que não é saudável (oi?).
Cara, o que dizer?

Eu sou a prova viva de que isso não é verdade. Eu e muitas outras pessoas que levam sua vida de forma saudável sim e que são gordas. Aliás, o que é não ser saudável pra você? Essa obsessão pelo corpo "fitness/perfeito" muitas vezes passa do limite da saúde com informações fora do contexto e dietas nada balanceadas pra que você perca suas gordurinhas de forma mais rápida. E tem muitas pessoas caindo nelas... Quem está menos saudável agora?
Desde pequena aprendi a comer direito. Amo uma salada, troco qualquer refrigerante por um chá bem gelado, passo mais de seis meses sem colocar um salgadinho na boca. Não porque me obrigo a ser saudável, e sim porque é a forma que gosto de me alimentar... São as coisas que gosto de comer, pelo gosto mesmo.
Eu cresci gorda, eu sou a mais gordenha do grupo mas acreditem caros amigos, eu sou uma das mais saudáveis também. É muito difícil uma gripe me derrubar, o meu check-up diz que todos os meus exames estão em ordem a muitos anos. Eu estou apta a praticar exercícios, a correr e a passar 3 horas na academia me exercitando sem problema nenhum. Ou seja, segundo todos os médicos, eu sou saudável pra caralho.
E estou me usando de exemplo aqui porque é muito mais fácil falar de mim, mas conheço muitas outras pessoas gordas que também são. É uma questão de hábitos e não de tamanho.

O problema todo é que a imagem da pessoa gorda ainda está ligada a imagem do monte de comida não saudável e falta de exercício. Eu não preciso praticar musculação pra me exercitar, assim como não preciso me encher de fast-food pra ser mais gorda que as minhas amigas.
Eu espero ansiosamente o dia em que as pessoas vão entender isso.

E pra quem não conhece o projeto Empoderarte-me da Mariana, vale muito a pena ver as fotos! São todas lindas e com um olhar muito particular sobre o corpo das meninas. Me contem qual sua foto favorita!
E viva o mundo sem padrões. Beijos!

terça-feira, 21 de maio de 2013

Insanidade Compartilhada: Fora da forma



Recentemente fiquei sabendo de algumas coisas que me incomodaram bastante, não apenas incomodaram, me chocaram muito, para ser bem sincera. Ditadura da beleza e influência da mídia no comportamento das pessoas, não são novidade pra ninguém, mas acredito que tudo tenha seu limite. E bem, uma declaração de uma marca famosa - a Abercrombie & Fitch, para ser mais exata – dizendo algumas das frases mais nojentas dos últimos tempos (já dita no blog, e com mais detalhes sórdidos no site da época negócios), já é um absurdo além de qualquer limite, mas parece que pouca falta de noção é bobagem. Esse tipo de atitude não sendo o suficiente, ainda fiquei sabendo de uma certa matéria da revista Vogue, que aliás veio antes da notícia anterior, cujo título não pode ser mais sugestivo e insensato: “Comer pra quê? Fazer jejum está na moda. Saiba mais sobre a dieta da vez.”
Não vou começar a citar os inúmeros problemas de saúde que esses padrões completamente equivocados têm causado, e muito menos comentar o quão vazias e de nível de qualidade e interesse quase nulos tem sido boa parte das matérias de muitas das revistas de moda brasileiras. Acredito realmente que jornalismo de moda tem muito potencial, mas se perde nesse tipo de besteira. Infelizmente, discutir tudo isso agora sairia um pouco do foco.
Mas afinal, quem foi que disse que é bonito ser magro? Quem disse que o peso determina a beleza de alguém?  Não sei se é possível achar o começo disso, saber como surgiu essa palhaçada de que um tipo de corpo é superior a outro. Afinal não é de hoje que esses padrões existem. Ao longo de toda a história padrões foram estipulados, e muita gente sofreu pra atender a eles  – imagine usar aqueles espartilhos apertadíssimos todos os dias da sua vida – mas pouco se aprendeu com esses excessos cometidos em nome da “beleza”. Até algumas décadas atrás uma mulher muito magra não era considerada nada atraente, se comparadas as curvas e a “fartura” apresentadas por mulheres como Marilyn Monroe. Isso significa que ela era feia por que era magra? É claro que não, exatamente como nos dias de hoje ter curvas e barriguinha não significa ser feia.
É até assustadora a quantidade de garotas fazendo dietas para ter ossos salientes e aquele famoso vão entre as pernas. Podem até me achar louca, mas minhas coxas se encostam e eu adoro isso em mim, arrisco até a dizer que é um ponto forte meu.  Cada corpo tem suas formas e particularidades, e a partir do momento que você tenta padronizar isso você perde toda a individualidade que a natureza te deu. Seguir um padrão de beleza é como tentar entrar em uma forma onde seu corpo não se encaixa por inteiro, e querer deforma-lo até que ele entre.  Querer entrar na forma é como querer ser uma boneca, com medidas padrão e fabricada em série, e mesmo atendendo a tudo isso você perde o que era mais bonito, aquelas características que só você tinha, e que só faziam sentido em você. 
Não vou me colocar em um pedestal e dizer que eu nunca quis entrar na forma, eu já quis sim. Quando eu tinha uns 13 anos eu quis domar meus cabelos rebeldes e densamente cacheados, porque queria que eles fossem lisos que nem o de todas as minhas amigas. Mas ai eu percebi que meu cabelo é lindo assim, que ele é do jeito dele, e que ele é minha característica mais marcante, nesse dia comecei a amá-lo como ele é, rebelde, armado e densamente cacheado. E porque não se amar e se aceitar por inteiro? Porque achar que o espelho está falando as mesmas bobagens que as revistas falam? Não existe por que.
E quanto àquelas matérias que me deixaram profundamente indignada, apenas digo que estão erradas. Não só erradas, mas apoiando preconceitos e padrões que sequer deveriam existir, e por tanto não merecem credibilidade alguma. Mas mesmo assim a liberdade de expressão é para todos, e eles devem dizer o que pensam, as pessoas é que não devem seguir esse mesmo tipo de pensamento inútil, ignorante e completamente sem sentido.